UMA BREVE REFLEXIÇÃO SOBRE O CÉU
Falar sobre o Céu é tocar no mais profundo
anseio do ser humano: o desejo de plenitude, de reencontro, de sentido. Desde
os primeiros capítulos do Gênesis até as últimas páginas do Apocalipse, a
Escritura Sagrada não apresenta o Céu como um refúgio etéreo após a morte, mas
como a plena presença de Deus restaurando todas as coisas.
Durante séculos, a espiritualidade cristã foi sendo
influenciada por imagens e conceitos filosóficos que separaram radicalmente Céu
e Terra, espírito e corpo, eternidade e tempo. No entanto, a mensagem bíblica
aponta em direção contrária: o Céu não é o “abandono do mundo”, mas a renovação
do mundo. O propósito divino nunca foi destruir a criação, mas transfigurá-la
à luz da glória de Cristo.
Os profetas anunciaram “novos céus e nova terra”
(Is 65:17), não como uma fuga, mas como a cura definitiva de uma criação
ferida pelo pecado. O Apocalipse confirma essa esperança: “Eis que faço novas
todas as coisas” (Ap 21:5). Assim, a esperança cristã não é apenas ir ao Céu,
mas viver a comunhão perfeita de Céu e Terra, quando o trono de Deus estará
entre os homens e “não haverá mais morte, nem pranto, nem dor”.
Esta obra nasce do desejo de revisitar a
promessa do Céu com olhos renovados — não como fuga do real, mas como visão
transformadora da própria existência. O Céu começa aqui, onde o amor vence
o egoísmo, onde a justiça floresce no deserto, onde a presença de Deus se
manifesta em meio à vida cotidiana.
Mais do que um destino, o Céu é um estado de
comunhão.
Mais do que um lugar, é a própria presença de Deus.
E mais do que um futuro, é a vocação eterna do ser humano: viver em
plenitude, reconciliado com Deus, com o próximo e com toda a criação.
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